quinta-feira, 20 de novembro de 2014

20 de novembro - Dia Mundial da Filosofia

Comemora-se hoje, dia 20, o dia Mundial da Filosofia. Esta comemoração foi estabelecida pelo UNESCO e, todos os anos, se realiza na terceira quinta-feira do mês de novembro.

Comemora-se hoje, também, o dia do Pijama. As crianças foram convidadas a ir para a escola de pijama. A iniciativa está associada a uma causa muito nobre. No entanto, questiono-me até que ponto ela foi devidamente explicada às crianças e se estas perceberam a razão pela qual foram para a escola com o traje de noite.
Nas rádios, no que me foi dado ouvir, falou-se muito do dia do pijama. E sobre a Filosofia? A justificação que encontro é que estive na estação errada, à hora errada ... espero bem que sim! 
 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Cantinho das dúvidas 2014 - 15



Olá Aprendiz de Filósofo!

O Cantinho está de novo no ativo. Deixa aqui as tuas dúvidas.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

domingo, 5 de maio de 2013

Dúvidas - 3º período

Testo os meus conhecimentos

I - Rawls: O problema da justiça Social NOVO


A
Para nos podermos queixar da conduta e das crenças de outros, temos de demonstrar que essas ações nos ferem ou que as instituições que as permitem nos tratam de forma injusta. E isto significa que temos de apelar para os princípios que escolheríamos na posição original. Contra estes princípios, nem a intensidade do sentimento nem o facto de ele ser partilhado pela maioria têm qualquer relevância.
John Rawls, Uma Teoria da Justiça, Lisboa, Editorial Presença, 2001




Explique, a partir do texto, a função da ideia de «posição original» na teoria da justiça de Rawls.


B


Então o que é justo? Que não sejam só as pessoas favorecidas pelo talento que a natureza lhes deu a usufruir do que com isso irão conseguir e adquirir. (...) É injusto que Cristiano Ronaldo, Messi, Bill Gates, grandes empresários artistas, escritores, etc., sejam os únicos a a beneficiar do seu talento.
Mas como fazer que isso aconteça? Procedendo à redestribuição dos rendimentos de modo que os mais favorecidos pela sorte na lotaria natural contribuam para quem - devido a QI limitado ou deficiência física, por exemplo - foi desfavorecido.
Luis Rodrigues e Álvaro Nunes, Filosofia, 10º ano, Plátano Editora


Atendendo ao texto, mostre qual é o propósito do princípio da diferença.


C



Podemos dividir o projeto de Rawls em três elementos. O primeiro é a definição das circunstâncias nas quais se realizará o acordo hipotético; o segundo é o argumento  de que os seus princípios de justiça seriam escolhidos nessas circunstâncias; e o terceiro é a afirmação de que isto mostra que aqueles são princípios de justiça corretos, pelo menos para regimes democráticos modernos.

J. Wolff, Introd. à Filosofia Politica, in Carlos Amorin e Catarina Pires, Clube das Ideias, Caderno de Ativ., Areal Editores

Explique o conteúdo do texto C.





II - Deontologia e Utilitarismo


Durante a Segunda Guerra Mundial, os pescadores holandeses transportavam, secretamente nos seus barcos, refugiados judeus para Inglaterra, e os barcos de pesca com refugiados a bordo eram por vezes interceptados por barcos patrulha nazis. O capitão nazi perguntava então ao capitão holandês qual o seu destino, quem estava a bordo, e assim por diante. Os pescadores mentiam e obtinham permissão de passagem.


James Rachel, Elementos da  Filosofia Moral



Distinga a Moral Utilitarista da Moral Deontológica no que toca à avaliação da Moralidade da acção dos pescadores.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O Problema do Livre-Arbítrio

Discussão e Tomada de Posição 
(In Alves, F. et al, Pensar Azul,10º ano, Texto Editores;
In http://pensamentofilosofico.blogspot.pt/2006/06/trabalho-referente-ao-filme-minority.html)


Filme Relatório Minoritário
Ler Resumo do Filme - aqui
Guião de análise do Filme - aqui NOVO


Tarefa:
Analise as condições para o funcionamento do Sistema Pré -crime apresentado no filme «Relatório Minoritário».
Em seguida apresentam-se algumas questões que podem orientar a sua análise:
1 - Será que o sistema Pré-crime  pressupõe alguma espécie de determinismo? Porquê?
2 - Qual é a conceção de ação humana que está implícita neste filme?
3 - Há algum espaço para o livre- arbítrio? Porquê?
4 - E que tipo de liberdade estaria em jogo?

Para enquadrar a  discussão, apresentam-se alguns excertos dos diálogos do filme:


Diálogo 1 
(na sala central da Unidade Pré-crime)
John Anderton (o policia), Jad (o assistente de John), e Danny Witwer (o investigador)

Jad: Os Pré-Cogs indicam o crime, o nome dos envolvidos é gravado. Cada peça tem forma e desenho únicos, impossíveis de falsificar.
Witwer: Tenho certeza de que você entende a objeção legal ao método do Pré-Crime [...] nós prendemos indivíduos que não infringiram lei alguma.
Jad: Mas eles infringiriam. O compromisso é metafísico. Os Pré-Cogs vêem o futuro e nunca se enganam.
Witwer: Deixe de ser futuro se o impedimos de ocorrer. Isso não é um paradoxo fundamental?
John: Sim é. Você está sempre a falar sobre predeterminação.
[Uma bola rola sobre o balcão, Witwer apanha-a.]
John: Por que é que a apanhou?
Witwer: Porque ela a cair.
John: Tem certeza?
Witwer: Claro.
John: Mas não caiu. Você apanhou -a. O fato de você ter impedido algo de acontecer não não muda o fato de que esse algo ia acontecer.
Witwer: Já lidou com falsos positivos? Alguém tem intenção de matar e não o faz. Como é que os Pré-Cogs os distinguem?
John: Eles não vêem intenção, só o que se vai fazer.


Diálogo 2 
(idem)
John e Witwer

John: Diga-me exatamente o que quer.
Witwer: Falhas.
John: Há 6 anos não há um assassinato. O sistema é...
Witwer: Perfeito. Concordo. Se há uma falha, é humana. É sempre.


Diálogo 3 
(na estufa de Iris)
John e Iris Hineman (a bióloga responsável pelos Pré-cogs)

Iris: Os Pré-Cogs nunca se enganam. Mas, às vezes... eles discordam um do outro.
John: O quê?
Iris: Na maioria das vezes, os três vêem um fato da mesma maneira... mas, de vez em quando, um deles vê diferentemente dos outros.
John: Deus do Céu. Por que é que  eu não sabia?
Iris: Porque destroem-se estes Registros Dissonantes (Minority Reports) assim que aparecem. 
John:
 Porquê?
Iris: Obviamente, para o Pré-Crime funcionar, não pode haver o menor indício de falibilidade. Quem ia querer um sistema judiciário que incute dúvidas?
[...]
John: Quer dizer que prendi pessoas inocentes?
Iris: Digo que, de vez em quando, os acusados pelo Pré-Crime... poderiam ter um destino alternativo.
John: Responda-me: Lamar Burgess sabe dos Registros Dissonantes?
Iris: Sim, claro, sabe. Mas, na época, entendemos que eles eram uma variante insignificante.
John: Para você, talvez. E para as pessoas com destinos alternativos que eu prendi? Meu Deus, se o país soubesse...
Iris: O sistema desmoronaria.
John: Eu acredito no sistema.
Iris: De verdade?
John: Você quer derrotá-lo.
Iris: Você o derrotará se conseguir matar sua vítima. Seria uma amostra pública espetacular de como o Pré-Crime não funciona.
John: Não matarei ninguém.
Iris: Continue a pensar assim.


Diálogo 4 
(no hotel em que John encontrará Leo Crow)
John, o gerente do hotel, e Agatha (a principal Precog)


Gerente: O quarto é 95 euros por noite.
John: Posso ver os registros?
Gerente: Não pode.
John: [apontando uma arma para o gerente] E agora?
Gerente: Fique à vontade.
John: Ele [Leo Crow] está aqui.
Agatha: Anderton, vá embora. Você tem escolha. Vá embora. Agora.
John: Não posso. Tenho de descobrir o que houve com minha vida.
Agatha: Por favor.
John: Agatha, não vou matar o sujeito. Nem mesmo o conheço.
[...]
John: Não tenho um destino alternativo. Vou matar esse homem.
Agatha: Você ainda tem escolha. Vocês nunca viram o próprio futuro. Você ainda tem escolha.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Dia Mundial da Filosofia - 15 de novembro de 2012

(em preparação)
 Ver o webinar
Participa nas sondagens: «A minha principal dificuldade a filosofia é ...» e «Qual o valor da filosofia?» - Vota! (Lateral esquerda).

«Igualdade de Género» - na sala de aula


Projeto NIC na sala de aula
(em preparação)


10ºC

sábado, 10 de novembro de 2012

Alegoria da Caverna

Alegoria da Caverna Platão, República, Livro VII, 514a-517c
Depois disto – prossegui eu – imagina a nossa natureza, relativamente à educação ou à sua falta, de acordo com a seguinte experiência. Suponhamos uns homens numa habitação subterrânea em forma de caverna, com uma entrada aberta para a luz, que se estende a todo o comptrimento dessa gruta. Estão lá dentro desde a infância, algemados de pernas e pescoços, de tal maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente; são incapazes de voltar a cabeça, por causa dos grilhões; serve-lhes de iluminação um fogo que se queima ao longe, numa eminência, por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros há um caminho ascendente, ao longo do qual se construiu um pequeno muro, no género dos tapumes que os homens dos "robertos" colocam diante do público, para mostrarem as suas habilidades por cima deles.
– Estou a ver – disse ele.
– Visiona também ao longo deste muro, homens que transportam toda a espécie de objectos, que o ultrapassam: estatuetas de homens e de animais, de pedra e de madeira, de toda a espécie de lavor; como é natural, dos que os transportam, uns falam, outros seguem calados.
– Estranho quadro e estranhos prisioneiros são esses de que tu falas – observou ele.
– Semelhantes a nós – continuei -. Em primeiro lugar, pensas que, nestas condições, eles tenham visto, de si mesmo e dos outros, algo mais que as sombras projectadas pelo fogo na parede oposta da caverna?
– Como não – respondeu ele –, se são forçados a manter a cabeça imóvel toda a vida?
– E os objectos transportados? Não se passa o mesmo com eles ?
– Sem dúvida.
– Então, se eles fossem capazes de conversar uns com os outros, não te parece que eles julgariam estar a nomear objectos reais, quando designavam o que viam?
– É forçoso.
– E se a prisão tivesse também um eco na parede do fundo? Quando algum dos transeuntes falasse, não te parece que eles não julgariam outra coisa, senão que era a voz da sombra que passava?
– Por Zeus, que sim!
– De qualquer modo – afirmei – pessoas nessas condições não pensavam que a realidade fosse senão a sombra dos objectos.
– É absolutamente forçoso – disse ele.
– Considera pois – continuei – o que aconteceria se eles fossem soltos das cadeias e curados da sua ignorância, a ver se, regressados à sua natureza, as coisas se passavam deste modo. Logo que alguém soltasse um deles, e o forçasse a endireitar-se de repente, a voltar o pescoço, a andar e a olhar para a luz, ao fazer tudo isso, sentiria dor, e o deslumbramento impedi-lo-ia de fixar os objectos cujas sombras via outrora. Que julgas tu que ele diria, se alguém lhe afirmasse que até então ele só vira coisas vãs, ao passo que agora estava mais perto da realidade e via de verdade, voltado para objectos mais reais? E se ainda, mostrando-lhe cada um desses objectos que passavam, o forçassem com perguntas a dizer o que era? Não te parece que ele se veria em dificuldades e suporia que os objectos vistos outrora eram mais reais do que os que agora lhe mostravam?
– Muito mais – afirmou.
– Portanto, se alguém o forçasse a olhar para a própria luz, doer-lhe-iam os olhos e voltar-se-ia, para buscar refúgio junto dos objectos para os quais podia olhar, e julgaria ainda que estes eram na verdade mais nítidos do que os que lhe mostravam?
– Seria assim – disse ele.
– E se o arrancassem dali à força e o fizessem subir o caminho rude e íngreme, e não o deixassem fugir antes de o arrastarem até à luz do Sol, não seria natural que ele se doesse e agastasse, por ser assim arrastado, e, depois de chegar à luz, com os olhos deslumbrados, nem sequer pudesse ver nada daquilo que agora dizemos serem os verdadeiros objectos?
– Não poderia, de facto, pelo menos de repente.
– Precisava de se habituar, julgo eu, se quisesse ver o mundo superior. Em primeiro lugar, olharia mais facilmente para as sombras, depois disso, para as imagens dos homens e dos outros objectos, reflectidas na água, e, por último, para os próprios objectos. A partir de então, seria capaz de contemplar o que há no céu, e o próprio céu, durante a noite, olhando para a luz das estrelas e da Lua, mais facilmente do que se fosse o Sol e o seu brilho de dia.
– Pois não!
– Finalmente, julgo eu, seria capaz de olhar para o Sol e de o contemplar, não já a sua imagem na água ou em qualquer sítio, mas a ele mesmo, no seu lugar.
– Necessariamente.
– Depois já compreenderia, acerca do Sol, que é ele que causa as estações e os anos e que tudo dirige no mundo visível, e que é o responsável por tudo aquilo de que eles viam um arremedo.
– É evidente que depois chegaria a essas conclusões.
– E então? Quando ele se lembrasse da sua primitiva habitação, e do saber que lá possuía, dos seus companheiros de prisão desse tempo, não crês que ele se regozijaria com a mudança e deploraria os outros?
– Com certeza.
– E as honras e elogios, se alguns tinham então entre si, ou prémios para o que distinguisse com mais agudeza os objectos que passavam e se lembrasse melhor quais os que costumavam passar em primeiro lugar e quais em último, ou os que seguiam juntos, e àquele que dentre eles fosse mais hábil em predizer o que ia acontecer – parece-te que ele teria saudades ou inveja das honrarias e poder que havia entre eles, ou que experimentaria os mesmos sentimentos que em Homero, e seria seu intenso desejo "servir junto de um homem pobre, como servo da gleba", e antes sofrer tudo do que regressar àquelas ilusões e viver daquele modo?
– Suponho que seria assim – respondeu – que ele sofreria tudo, de preferência a viver daquela maneira.
– Imagina ainda o seguinte – prossegui eu -. Se um homem nessas condições descesse de novo para o seu antigo posto, não teria os olhos cheios de trevas, ao regressar subitamente da luz do Sol?
– Com certeza.
– E se lhe fosse necessário julgar daquelas sombras em competição com os que tinham estado sempre prisioneiros, no período em que ainda estava ofuscado, antes de adaptar a vista – e o tempo de se habituar não seria pouco – acaso não causaria o riso, e não diriam dele que, por ter subido ao mundo superior, estragara a vista, e que não valia a pena tentar a ascensão ? E a quem tentasse soltá-los e conduzi-los até cima, se pudessem agarrá-lo e matá-lo, não o matariam ?
– Matariam, sem dúvida – confirmou ele.
– Meu caro Gláucon, este quadro – prossegui eu – deve agora aplicar-se a tudo quanto dissemos anteriormente, comparando o mundo visível através dos olhos à caverna da prisão, e a luz da fogueira que lá existia à força do Sol. Quanto à subida ao mundo superior e à visão do que lá se encontra, se a tomares como a ascensão da alma ao mundo inteligível, não iludirás a minha expectativa, já que é teu desejo conhecê-la. O Deus sabe se ela é verdadeira. Pois, segundo entendo, no limite do cognoscível é que se avista, a custo, a ideia do Bem; e, uma vez avistada, compreende-se que ela é para todos a causa de quanto há de justo e belo; que, no mundo visível, foi ela que criou a luz, da qual é senhora; e que, no mundo inteligível, é ela a senhora da verdade e da inteligência, e que é preciso vê-la para se ser sensato na vida particular e pública.»

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Dimensão Discursiva da Filosofia - Treino

A Pensar morreu um Burro
A televisão entrou-nos pela barraca adentro. Com o nosso consentimento, para nosso deleite. (...) Tudo chega explicadinho, pronto a digerir, assimilar ... e esquecer. (...)
O pensamento precisa de tempo. O pensamento crítico ainda de mais tempo. Uma estreita relação estabelece-se entre pensamento e velocidade. Ora o nosso tempo é rápido e fugaz. Tempo é dinheiro. Não pensar é dinheiro. Mais do que nunca. E os meios de comunicação de massas aí estão para nos poupar tempo e trabalho. E até dar dinheiro. Muito dinheiro.
Na televisão (...) os programas de entretenimento ocupam, de forma quase exclusiva, o horário nobre, deixando para esconso horário "plebeu" os programas de informação ou os programas científicos, quando existem. O "prime-time" não é para pensar. É para não pensar. E, mesmo nos programas de informação, os canais de televisão nunca se esquecem de convidar o "especialista", aquele que sabe tudo sobre o tema e que explica bem e depressa. E o mérito está precisamente nestes "fast-thinkers" que pensam rápido, pensam por eles e para todos. O que pressupõe que os receptores, em última instância, não pensem. Fazem-nos esse favor. O fenómeno está a tornar-se universal. (...).
Mas, mesmo que a pensar morra um burro, nós precisamos de pensar para não morrer. O que de melhor a humanidade produziu foi pensando bem que o fez. A História disso faz periodicamente o balanço. Pensar é preciso.
José Alberto Quaresma http://criticanarede.com/fil_apensarmorreu.html
Exercite as suas competências discursivas: 1 - Diga qual é o tema do texto. 2 - Apresente a tese do autor. 3 - Enumere os argumentos em que o autor sustenta a sua tese. 4 - Considera que o título está adequado ao texto? Justifique.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Cantinho das Dúvidas - 1º Período

Este cantinho está reservado às tuas dúvidas. Coloca-as!Basta fazeres um comentário a esta postagem.

domingo, 16 de setembro de 2012

Toca a acordar! Estamos de volta

Olhos Fechados
Viver sem filosofar é ter os olhos fechados sem jamais tentar abri-los; e o prazer de ver todas as coisas que a nossa visão descobre não é comparável à satisfação proporcionada pelo conhecimento daquelas que encontramos por meio da filosofia; e, finalmente, esse estudo é mais necessário para regrar os nossos costumes e conduzir-nos nesta vida do que o uso dos nossos olhos para orientar os nossos passos.
(...) Se desejamos seriamente ocupar-nos com o estudo da filosofia e com a busca de todas as verdades que somos capazes de conhecer, tratemos, em primeiro lugar, de nos libertar dos nossos preconceitos, e estaremos em condições de rejeitar todas as opiniões que outrora recebemos através da nossa crença até que as tenhamos examinado novamente; em seguida, passaremos em revista as noções que estão em nós, e só aceitaremos como verdadeiras as que se apresentarem clara e distintamente ao nosso entendimento.
René Descartes,Princípios da Filosofia

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ficha Formativa de 5 de Maio - Tópicos de Correcção

Tópicos de correcção
Grupo A
1. - A realidade não é percebida tal e qual como ela é: a ciência não é uma tradução fidedigna da realidade.
- O facto científico é construído, ou seja, elaborado racionalmente ("poderá formar para si uma qualquer imagem do mecanismo").
- Esta construção é conceptual ("os conceitos físicos são criações livres do espírito")e técnica ou instrumental.
- A realidade é matematizada: a ciência transforma as qualidades do real em quantidades.
- A ciência é uma aproximação à realidade marcada pela revisibilidade ("mas nunca terá a certeza de que a sua imagem seja a única").



2. O interesse do homem comum pelo relógio é meramente pragmático - facilita e rentabiliza a experiência vivencial e a rotina quotidiana.
- Satisfaz-se com uma leitura imediata e superficial da informação que se mostra aos sentidos - esta informação sensorial é suficiente ("vê o mostrador"; "ouve o tique-taque").
- Não se preocupa em abrir a caixa nem problematiza o funcionamento do mecanismo que está no seu interior.



3. As estruturas a priori são: a sensibilidade e o entendimento.

Sensibilidade:
- receptividade
- passividade
- espaço e tempo (a priori)
- vazia (até receber os dados dos sentidos)
- geradora de intuições sensíveis
- "dá-nos" o objecto

Entendimento
- espontaneidade (produtor de conceitos)
- conceitos (a priori)
- activo
- vazio (até receber as intuições sensíveis)
- pensa o objecto

Grupo B
tema - o texto fala da falsificabilidade como critério de demarcação da ciência.
prob. - Como validar um sistema científico?

Rejeição da verificabilidade:
- explicar o que é o verificaccionismo;
- apresentar as razões daquela rejeição: verificacionismo e indutivismo - a generalização indutiva; o problema da indução; o sentido positivo do verificacionismo e a sua lógica falaciosa; modus ponnes; verificacionismo e certeza ou objectividade forte.

Defesa da refutabilidade
- principio da falsificação;
- experiência e refutabilidade;
- corroboração e resistência aos testes;
- o sentido negativo e o modus tollens
- o papel das conjecturas.
- a importância do erro; objectividade fraca

Bom Trabalho,
Prof. Susana Pinto

terça-feira, 22 de março de 2011

Análise Fenomenológica do Acto de Conhecer

As alunas do 11º C e E revelaram os seus dotes artísticos e conseguiram provar que um texto de fenomenologia pura pode ser traduzido de uma forma divertida e atraente. Parabéns a quem respondeu positivamente a este desafio.
Transcreve-se, em baixo, o texto de Hartmann que esteve na base dos trabalhos das alunas (ver também Manual adoptado, p. 18.

Catarina e Raquel - 11º C

Andrea e Alexandra - 11º E

Janete - 11º E


N. HARTMANN
Les Principes d'une Métaphysique de la Connaissance. Paris: Ed. Montaigne, 1945, t. l, pp. 87-88
Em todo o conhecimento, um "cognoscente" e um "conhecido", um sujeito e um objecto encontram-se face a face. A relação que existe entre os dois é o próprio conhecimento. A oposição dos dois termos não pode ser suprimida; esta oposição significa que os dois termos são originariamente separados um do outro, transcendentes um ao outro.

Os dois termos da relação não podem ser separados dela sem deixar de ser sujeito e objecto. O sujeito só é sujeito em relação a um objecto e o objecto só é objecto em relação a um sujeito. Cada um deles é o que é em relação ao outro. Estão ligados um ao outro por uma estreita relação; condicionam-se reciprocamente. A sua relação é uma correlação.

A relação constitutiva do conhecimento é dupla, mas não é reversível. O facto de desempenhar o papel de sujeito em relação a um objecto é diferente do facto de desempenhar o papel de objecto em relação a um sujeito. No interior da correlação, sujeito e objecto não são, portanto, permutáveis, a sua função é na sua essência diferente. (...)

A função do sujeito consiste em apreender o objecto; a do objecto em poder ser apreendido pelo sujeito e em sê-lo efectivamente.

Considerada do lado do sujeito, esta apreensão pode ser descrita como uma saída do sujeito para fora da sua própria esfera e como uma incursão na esfera do objecto, a qual é, para o sujeito, transcendente e heterogénea. O sujeito apreende as determinações do objecto e, ao aprendê-las, introdu-las, fá-las entrar na sua própria esfera.

O sujeito não pode captar as propriedades do objecto senão fora de si mesmo, pois a oposição do sujeito e do objecto não desaparece na união que o acto do conhecimento estabelece entre eles; permanece indestrutível. A consciência dessa oposição é um aspecto essencial da consciência do objecto. O objecto, mesmo quando é apreendido, permanece para o sujeito algo exterior; é sempre o objectum, quer dizer, o que está diante dele. O sujeito não pode captar o objecto sem sair de si (sem se transcender); mas não pode ter consciência do que é apreendido, sem entrar em si, sem se reencontrar na sua própria esfera. O conhecimento realiza-se, por assim dizer, em três tempos: o sujeito sai de si, está fora de si e regressa finalmente a si.

O facto de que o sujeito saia de si para apreender o objecto não muda nada neste. O objecto não se torna por isso imanente. As características do objecto, se bem que sejam apreendidas e como que introduzidas na esfera do sujeito, não são, contudo, deslocadas. Apreender o objecto não significa fazê-lo entrar no sujeito, mas sim reproduzir neste as determinações do objecto numa construção que terá um conteúdo idêntico ao do objecto. Esta construção operada no conhecimento é a "imagem" do objecto. O objecto não é modificado pelo sujeito, mas sim o sujeito pelo objecto. Apenas no sujeito alguma coisa se transformou pelo acto do conhecimento. No objecto nada de novo foi criado; mas no sujeito nasce a consciência do objecto com o seu conteúdo, a imagem do objecto.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Dúvidas - 2º Período


Falácias
Falácias
Falácias
Falácias
Falácias

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Cantinho das Dúvidas


O «Cantinho das dúvidas» está de regresso. Se és aluno do 11º ano, sabes que, durante este 1º Período, nos vamos dedicar ao estudo da Lógica e da Argumentação. Como treino para o teste que aí vem, deixo-te aqui um desafio lógico, proposto pela Professora Catarina Pires, da Escola Secundária Jaime Moniz (Funchal), no site Ao encontro de Hipátia. Para acederes ao desafio (Problema dos chapéus) basta fazer um clic aqui. Podes deixar, nos comentários, a tua resposta a este desafio. Em breve, apresentarei aqui a solução.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ensaio Filosófico - Clonagem

SERÁ A CLONAGEM HUMANA ETICAMENTE ACEITÁVEL?

- Por Joana Cardão, nº 11, 10º C

Chama-se clonagem ao processo pelo qual se produzem, a partir de um só organismo, vários indivíduos geneticamente iguais ao primeiro. Aos descendentes idênticos ao original, chamam-se clones. Será isto novo na natureza? Não. No reino vegetal existem muitos exemplos deste fenómeno. Quem é que não experimentou levar um ramo de uma planta do jardim do vizinho, na esperança de que se desenvolva no seu próprio jardim? No reino animal também se dá este fenómeno, sobretudo em seres menos evoluídos, como por exemplo, as bactérias. E pode mesmo dar-se acidentalmente nos animais evoluídos, como os mamíferos, incluindo o homem: nos irmãos gémeos verdadeiros. Há duas possíveis aplicações para a clonagem humana: a clonagem terapêutica e a clonagem reprodutiva, sendo esta última a analisada neste ensaio.
Importa chegar a um consenso acerca da moralidade da clonagem pois, enquanto não o fizermos, poderemos estar a privar as pessoas de gozarem um novo meio de reprodução injustificadamente. Vou, neste ensaio, defender que a clonagem humana reprodutiva não é eticamente aceitável.
São diversos os argumentos contra a clonagem, destacando-se o da identidade, que defende que a clonagem de seres humanos impedirá estes de terem uma identidade própria. No entanto, refuta-se que os clones apenas teriam o mesmo ADN que os seus progenitores mas provavelmente personalidades diferentes, uma vez que se desenvolveriam em gerações e ambientes distintos. Por exemplo, no caso dos irmãos gémeos verdadeiros (já referido anteriormente) que possuem o mesmo código genético, o seu nascimento não é indesejável. Porém, penso que este contra-argumento não invalida o facto dos clones, assim como gémeos verdadeiros, terem uma maior probabilidade para crises de identidade e de existência. A cópia genética, ou clone, cria uma desigualdade enorme em prejuízo do clone. O saber demasiado sobre o clonado, o seu destino e as suas possibilidades, anula as hipóteses de um normal desenvolvimento psíquico. Se respeitarmos o direito de toda a vida humana a encontrar o seu próprio caminho e ser uma surpresa para ela mesma, então a clonagem fica vedada.
Outro dos argumentos é o chamado de instrumentalização: aqueles que querem ser clonados poderiam tratar os seus clones como simples meios para alcançar determinados fins. Algumas pessoas defendem que este aspecto é improvável e que qualquer pessoa pode ter este tipo de atitude perante outra sem que esta seja seu clone. No entanto, na minha opinião, será muito mais provável isto acontecer no caso dos clones, pois este teria um conjunto de características determinadas e conhecidas a priori o que levaria ao possível planeamento duma instrumentalização pré-concebida. E isto seria como um atentado à dignidade do outro, enquanto ser humano.
O perigo da eugenia (selecção de indivíduos com características genéticas consideradas desejáveis): as pessoas poderiam recorrer à clonagem para tentar ultrapassar a sua longevidade, através da perpetuação do seu ADN; criar grupos de pessoas geneticamente iguais, para desempenharem uma determinada função (por exemplo, clonar pessoas altas, para que estas constituíssem uma equipa homogénea de basquetebol) ou até clonar celebridades para que os filhos (clones) herdassem o talento deles – onde se aplicaria, mais uma vez, a instrumentalização. Existem ainda objecções bastante fortes à clonagem como sendo a da diversidade da natureza. Uma das nossas particularidades é a enorme variedade genética que é a principal garantia da sobrevivência das espécies e biodiversidade, sendo esta ampla e fascinante no ser humano. No entanto, se com o desenvolvimento da clonagem, as pessoas começassem com regularidade a recorrer a técnicas desta natureza, a tal diversidade poderia de certa forma extinguir-se progressivamente. Por exemplo, devido à clonagem, todas as bactérias são iguais, e um antibiótico específico adequado mata-as a todas. Da mesma maneira, se tivermos uma população de seres humanos todos iguais resultantes de clonagem, o que afectasse um, afectaria igualmente todos, pondo em perigo a própria sobrevivência da espécie.
Outro dos argumentos fortes contra a clonagem acaba por ser a baixa taxa de sucesso desta em mamíferos. O nascimento da ovelha Dolly, por exemplo, foi o resultado de 276 clonagens fracassadas, e há indícios de que os clones criados com a tecnologia actual poderão nascer defeituosos e ter uma esperança de vida bastante inferior à média. Afinal Dolly morreu com apenas 6 anos de idade, quando o normal seria cerca de 12 anos, e de doenças que normalmente afectam indivíduos idosos. Daí a clonagem não ser o caminho para a imortalidade. Se se decidisse clonar seres humanos, teria que se proceder como com os animais: com tentativas e erros, o que significa que propositadamente, se vão criar grande número de vidas humanas inviáveis ou afectadas. Dado isto, será justo poder sacrificar centenas de vidas humanas para que se obtenha a cópia de uma?
Assim a objecção dos custos humanos evidencia o facto do aperfeiçoamento da técnica de clonagem levar à destruição de vidas humanas e à concepção de crianças com deficiências, assim como ao facto da esperança média de vida dos clones ser inferior à média (já referido anteriormente).
A razão que pode levar a justificar a clonagem humana, é a ignorância sobre a dignidade de uma pessoa. Citando Kant: “No reino dos fins, tudo tem um preço ou uma dignidade. Quando uma coisa tem um preço, pode pôr-se em vez dela, qualquer outra coisa como equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo o preço, e portanto não permite equivalente, então ela tem dignidade”. Um animal não é o seu genoma, e muito menos o é o homem. Fabricar clones de seres humanos, sob a falsa crença de que assim conseguiríamos seres idênticos a todos os níveis, supõe materializar efectivamente os seres assim obtidos, reduzi-los à categoria de objectos. Esquecer-se-ia o valor da dignidade humana. A clonagem nega, na sua própria essência, que os seres humanos possam ser fim em si mesmos. Quer dizer, a clonagem supõe um ser criado para algo, daí a imoralidade desta operação.
No entanto, há quem concorde com a clonagem para ter um bebé. Por exemplo, pais que perderam um bebé e querem substituí-lo, ou pessoas que querem ter os seus próprios filhos mas que não conseguem da maneira tradicional. Por exemplo, nos casos em que um homem não consegue produzir esperma, pode fazer com que o sei próprio ADN seja introduzido no ovo da sua parceira, criando um clone dele próprio. Mas será esta a atitude mais correcta, sabendo que no mundo de hoje há tantas crianças órfãs que necessitam de amor e carinho de uma família? Na minha opinião, não é lógico nem ético optar pela clonagem quando temos esta opção.
Há ainda outros que defendem que proibir a clonagem equivale a deter a ciência. Mas como escreveu Paul Ramsey “as coisas boas que os homens fazem só podem estar completas com as coisas más que eles recusam fazer”. Parar a clonagem humana não será travar a ciência mas sim não deixar que esta se descontrole, pois a ciência deve estar ao serviço do homem moral e não sobre este. Esta posição é apoiada pelo Papa e pela Igreja que concordam com este progresso científico, mas aliado ao progresso humano, moral e ético. Assim a ciência deve procurar outras formas de clonagem que não suponham a geração de embriões. É nesta direcção que deverá seguir a investigação se quer respeitar a dignidade de todos e cada um dos seres humanos, inclusive no seu estado embrionário. Assim, conclui-se que “submeter os seres humanos à clonagem não é assumir um risco desconhecido, é prejudicar as pessoas conscientemente”.

Ensaio Filosófico escrito pela aluna Joana Cardão, nº 11, 10º C, a 15 de Abril de 2010, ESSPS
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